UNIÃO BRASIL E PP DEIXAM GOVERNO LULA

Se a relação entre o governo federal e o Congresso Nacional já vinha de mal a pior, ela pode ficar ainda mais desafiadora com o desembarque dos partidos União Brasil e Progressistas, inclusive com a entrega de ministérios. Em agosto, as duas agremiações formaram a federação União Progressista, reunindo 109 parlamentares na Câmara dos Deputados, e tornando-se a maior bancada do parlamento.

Atualmente, o PP comanda o Ministério do Esporte, com André Fufuca. Já o União Brasil tem Celso Sabino no Turismo, Waldez Góes no Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira nas Comunicações. Esses dois últimos seriam poupados das mudanças, por não pertencerem à cota nacional desses partidos. No caso de Siqueira, ele é indicação direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A líder do Psol na Câmara, deputada Talíria Petrone, lembra que desde o início do atual gestão, esses partidos deram diversas demonstrações de infidelidade com o governo que compõem.

“Nesses três anos, a participação desses partidos nos ministérios não foi suficiente para impedir que eles muitas vezes estivessem aliados com a oposição ao governo e criando dificuldades para as medidas populares que o governo tentou implementar”, avalia a parlamentar.

Por esse mesmo motivo, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), acredita que não haverá grandes alterações quanto à disposição da base, e defende que a esquerda faça uma contraposição de pautas no Congresso, reafirmando suas prioridades.

“Se você analisa as votações que nós enfrentamos na Câmara dos Deputados, o fato é que uma parte desses partidos já votavam como oposição, outra parte vota como governo. Nós temos que aprofundar o debate para continuar mantendo próximo do governo os parlamentares, sobretudo das regiões onde o presidente está bem posicionado e que sempre deram base ao nosso governo”, declarou.

Por outro lado, Farias disse que não há espaço para ameaças, e que os partidos que quiserem desembarcar, devem fazê-lo o quanto antes. “Aqui é muito claro, quem quiser sair tem que sair, o governo tem que recompor sua base, tem que ter uma relação para valer. Então não tem que ficar ameaçando sair, tem que sair. Entrega o cargo, o governo recompõe”, disse o parlamentar.

Eleições 2026

A deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) acredita que a movimentação desses partidos antecipa as articulações do Centrão com vistas nas eleições de 2026.

“O União Progressista já não vinha dando sinais de fidelidade ao governo desde o início. Foram raras as votações que garantiram os votos das bancadas. Há muitas declarações e posições que mais se parecem com bancadas de oposição. Acredito que a grande mudança seja a consolidação definitiva de uma nova aliança eleitoral para 2026, que envolve Tarcísio de Freitas como candidato a presidente da direita e extrema direita brasileira. É o início das eleições de 2026 e das ações para derrotar Lula eleitoralmente”, disse Bomfim.

“Não nos esqueçamos da declaração de Ciro Nogueira, quando disse que querem fazer Lula sangrar até 2026”, lembra a deputada, em referência a declaração do senador do estado do Piauí e presidente nacional do PP.

Orlando Silva lembra que esses partidos não fizeram parte da frente ampla que elegeu o atual governo, mas que, ainda assim, será preciso uma “aliança com o povo” para evitar o retorno da direita ao poder.

“Nós temos que fazer uma aliança com o povo. Vamos ter que ampliar a base social. E, para isso, o governo tem que fazer políticas que dialogam mais largamente com o povo”, declarou.

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