CIRO NÃO SERÁ PRESO MAS TERÁ QUE CUMPRIR MEDIDAS CAUTELARES
Na avaliação do MPE do Ceará, falas de Ciro tiveram como objetivo “constranger e humilhar” Janaína, “menosprezando-a por sua condição de mulher”
O Ministério Público Eleitoral do Ceará (MP-CE) decidiu não acolher o pedido de prisão preventiva contra o ex-governador e líder nacional do PDT, Ciro Gomes. A promotora Grecianny Carvalho Cordeiro, no entanto, defendeu que a Justiça Eleitoral imponha medidas cautelares — como o comparecimento periódico em juízo e a proibição de contato com a prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT).
o que houve?
O caso marca mais um capítulo no desgaste de Ciro, figura central da política cearense e ex-candidato à Presidência. As acusações envolvem violência política de gênero, praticada em declarações contra Janaína, quando ela ocupava interinamente o Senado em 2024, no lugar de Camilo Santana.
O que foi pedido:
• A Advocacia do Senado havia solicitado a prisão preventiva de Ciro.
• O MP rejeitou a medida extrema, mas reconheceu “continuidade delitiva” e pediu alternativas à prisão.
o que diz a defesa de Ciro:
Os advogados de Ciro reagiram duro. Acusaram a iniciativa de censura prévia e negaram que haja risco concreto contra Janaína. Argumentam que as falas de Ciro foram dirigidas ao então senador Camilo Santana, não à prefeita de Crateús.
Cabe agora ao juiz eleitoral decidir se acata ou não as medidas cautelares sugeridas pelo MP. Até lá, Ciro segue sem restrições judiciais.
Linha do tempo dos ataques de Ciro contra Janaína Farias
Abril de 2024 – Ocupando o Senado (suplente de Camilo Santana)
Durante entrevistas e declarações públicas, Ciro lançou ataques diretos quando Janaína assumiu interinamente o mandato no Senado:
- “Assessora para assuntos de cama do Camilo Santana”
- “Assessora de alcova”
- “Pessoa que organizava as farras do Camilo Santana”
- “Cortesã”
É a Primeira vez que o MP Eleitoral abriu procedimento, apontando indícios de violência política de gênero.
Maio–Junho de 2024 – Reafirmação das ofensas em entrevistas
Mesmo após decisão judicial que já o proibia de se manifestar nesse tom, Ciro repetiu ataques diante de jornalistas:
- “Ela é, hoje, uma cortesã portando um mandato de senadora.”
- “Faça quatro perguntas básicas a ela sobre geografia, economia, demografia do Ceará… Você vai ver. Se fosse um homem, seria a mesma coisa. Mas, por ser mulher, não pode.”
Julho de 2025 – Evento em Capistrano (aniversário de Roberto Cláudio)
No interior do Ceará, em discurso aberto, elevou o tom das acusações, sem citar nominalmente, mas deixando claro o alvo:
- “A pessoa que recrutava moças pobres, de boa aparência, para fazer o serviço sexual sujo de Camilo Santana.”
- “Virou senadora do Ceará. Agora é prefeita num município do Ceará… É para eu encarar? Eu vou encarar.”
Ciro reforça ataques e os amplia, relacionando Janaína à vida pessoal e política de Camilo Santana.
Blog do Rosálio Daniel/Focus Poder
